3. OS BIOMAS BRASILEIROS E A DEFESA DA VIDA A Igreja católica vive tempos de Papa Francisco. Ele trouxe um ar renovado à Igreja, mas também suscita esperanças num vasto setor da humanidade que não é católico. Francisco, na carta encíclica Laudato Si' pede-se uma "conversão ecológica e uma "espiritualidade integral". Essas expressões nos dão a entender que precisaremos caminhar muito como cristãos para respeitar o que Deus nos deu. Ainda mais, teremos longa caminhada pela frente para assimilar, no mais profundo da alma, da mente e do coração, que o respeito pela natureza e também parte integrante de nossa fé. A Campanha da Fraternidade deste ano como tema: "Biomas brasileiros e defesa da vida" e como lema: "Cultivar e guardar a criação". Esse é o espírito que move nossa época, o qual precisa ser assimilado também como pratica de fé. Por isso, o objetivo geral desta campanha é "cuidar da criação, de modo especial dos biomas brasileiros, dons de Deus, e promover relações fraternas com a vida e a cultura dos povos, a luz do evangelho" (Texto-Base). Mas o que é um bioma? A origem do termo está na língua grega. "Bio" quer dizer vida e "oma" quer dizer grupos, conjunto e até estruturas de vida. Portanto, bioma é um grupo de vidas, um conjunto de vidas, tanto vegetais como animais, que ocupam, de forma contínua, determinado espaço da face da Terra que tem um clima específico. Fica mais fácil compreender quando olharmos para o território brasileiro e constatamos que temos seis biomas: Amazônia, Caa- tinga, Cerrado, Mata-Atlântica, pantanal e Pampa. Quem conhece esses esses espaços de nosso território sabe que são diferentes na vegetação, no clima, no solo, no regime de chuvas e assim por diante. Pois bem, são eles nossos biomas que devemos "cultivar e guardar" para o bem das atuais e futuras gerações.
2. AS CAMPANHAS DA FRATERNIDADE E OS TEMAS SOCIOAMBIENTAIS
Em 1979 a Igreja católica já incorporava em sua pauta a questão socioambiental com a Campanha: "Preserve o que é de todos". De lá pra cá, temas como saúde, vida, água, terra, índios e tantos outros estarão presentes em nossos períodos quaresmais. Muitas vezes eles nos chamam a atenção para situações de que a maioria da sociedade nem quer saber, como a das pessoas com deficiência, em 2006. A primeira Campanha da Fraternidade nasceu na Cidade de Natal, no Rio Grande do Norte, quando D. Eugênio Salles era o bispo daquela diocese. Ficou restrita ao espaço diocesano. No ano seguinte, já abrangia 25 dioceses. Desde então, tornou-se nacional. As campanhas são, portanto, uma inspiração clara do Espírito Santo. Elas têm dom de mobilizar a Igreja toda para uma causa justa, sempre alicerçada na Bíblia, a maioria das vezes no Novo Testamento. São sempre uma forma de traduzir para o presente os desafios de serviço aos irmãos e irmãs para qual Deus nos convoca. Nos dias atuais, constituem o principal fator de diálogo da Igreja católica com as outras Igrejas - principalmente aquelas que têm espírito ecumênico na campanha de 2016, com ênfase no cuidado com a Casa Comum. Podemos dar ainda um passo além, dialogando com toda a sociedade, como foi o foco principal da referida campanha anterior sobre o saneamento básico. Pois bem, em 2017, já iluminados com a carta encíclica Laudato Si do Papa Francisco , vamos nos debruçar sobre nossos biomas brasileiros, espaços de imensa quantidade e variedade de vidas. Vamos ver como eram originalmente, o desastre de sua destruição pela mão humana e o que podemos fazer para que sejam "cultivados e guardados" (Gn 2,25), como nos pede a Igreja, com base no mandamento próprio Deus.
O Evangelho de Mateus, no primeiro e último capítulos, apresenta Jesus como o Emanuel, "Deus Convosco". Deus vem a nós para ficar convosco, assumindo no Filho nossa condição humana.
Nascido de uma jovem, ele vem de modo diferente, por ação do Espírito Santo, antes que Maria e José, já prometidos em casamento, morassem juntos. Deus se faz ser humano, contando com a colaboração humana: a colaboração de Maria, que diz "sim" a Deus para gerar o Messias em seu ventre, a colaboração de José, homem justo que aceita Maria como esposa. Mas o evangelho quer diz quando mostra José como homem "justo"? Segundo a justiça da lei de Moisés, José deveria abandonar Maria publicamente, denunciando-a por estar grávida antes de viverem juntos. Ele, porém, pensava em abandoná-la em segredo, porque sabia das consequências disso para Maria, que seria considerada adúltera. José era, antes de tudo, homem bom. A aparição do anjo em sonho, então, indica a José o caminho a tomar, revelando a ação divina presentes nas ações humanas: José era "filho de Davi" e tinha papel fundamental na vinda do Emanuel anunciado pelos profetas. E assim percebemos que ser justo, no caso de José era sobretudo estar aberto aos planos de Deus e aceitá-lo como plano para a própria vida. Podemos imaginar os planos daqueles dois jovens já prometidos em casamento. Planos que eles deixaram de lado ou tiveram de rever, ao assumir a vontade de Deus como plano para suas vidas. Na aproximidade do Natal, renovamos nossa fé no Deus que está conosco, que vem a nós com fragilidade da vida ameaçada. Renovamos a fé no Emanuel agradecendo sua presença, que ilumina e orienta nossos caminhos, para que os planos de Deus sejam os nossos planos. Renovamos nossa fé no Emanuel, com o compromisso pessoal e comunitário para que a vida seja defendida sempre e em tudo.