sábado, 29 de julho de 2017

ANO MARIANO

11. QUEM É MINHA MÃE? QUEM SÃO MEUS IRMÃOS?

  Certa vez, Jesus estava com seus discípulos e a multidão quando alguém lhe disse: "Sua mãe e seus irmãos estão ali fora e querem vê-lo". Jesus respondeu: "Minha mãe e meus irmãos são aqueles que ouvem a palavra de Deus e a põem em prática" (Lc 8,19-21).
  Um fato de hoje ajuda a entender a atitude de Jesus. Luís Carlos é voluntário da pastoral dos enfermos. Nos hospitais, visita especialmente os que estão nas enfermarias e não recebem atenção dos outros. Veste um jaleco branco com o crachá de identificação. Certo dia, aproximou-se de uma paciente que estava sozinha. Quando ela o viu, reagiu: "Você não é da minha religião. Não quero saber de conversa! Vá embora". Luiz saiu, retirou o jaleco e o crachá. Voltou e disse: "Joana, você aceita a visita de um amigo?" Meio sem graça, ela consentiu. Tempos depois, um dia, no ônibus, Luís sente alguém lhe bater no ombro. Ele se vira e vê Joana de pé. A mulher lhe diz emocionada: "Muito obrigada! Você foi para mim um irmão.Quando senti muita e nenhum parente tinha ido me visitar, você foi mais do que alguém da minha família!"
  Jesus gostava muito de sua família. No entanto, quando começou a sua missão, ele convocou homens e mulheres para fazer parte de uma nova família. Nesta nova, o importante era "ouvir a Palavra e pô-la em prática". Alguns parentes não aceitaram a proposta de Jesus e o rejeitaram (cf. Mc 6,1-6). Mas, para Maria, a realidade foi outra. Ela não foi somente a mãe biológica, mas também aderiu ao grupo dos seguidores de Jesus.
  Maria fez parte da família biológica de Jesus quanto da nova família dos discípulos-missionários. Assim se entende a resposta de Jesus à mulher e a multidão, elogia sua mãe biológica: "Felizes o ventre que trouxe e os seios que te amamentaram". Jesus diz: "Antes, felizes os que ouvem a palavra de Deus e a praticam" (Lc 11,27s). Mais do que ninguém, Maria acolhe a Palavra e a viveu intensamente.
Irmão Afonso Murad 

domingo, 23 de julho de 2017

ANO MARIANO

10. A VIDA EM NAZARÉ: DESCOBRIR DEUS NO COTIDIANO

  Somos bombardeados constantemente pela proposta de que o ser humano ideal deve ser um celebridade. Deve aparecerem público e ser reconhecido como especial. Nos perfis das redes sociais, as pessoas se mostram jovens e bonitas. Compartilham fotos e vídeos preferentemente de momentos alegres. Se esse é o modelo do ser humano feliz, então não se podem entender os longos anos silenciosos de Maria, José e Jesus em Nazaré. 
  A chamada "vida oculta" da família de Nazaré nos diz que os frutos mais saborosos e profundos da vida necessitam de tempo para serem semeados, cultivados e amadurecidos. Além disso, há certos tesouro da vida pessoal que não devem se tornar públicos de nenhuma forma, sob o risco de perder seu encanto.
  No Livro O Cotidiano de Maria de Nazaré, Clodovis Boff diz que, na experiência de Maria, o lugar normal do encontro com Divino é justamente o cotidiano. Sua existência, seu rosto e até seu nome não tinham nada de especial no mundo em que vivia: eram comuns a tantas filhas de Israel.
  Maria vivia esse cotidiano ordinário de forma extraordinária. Personificava cada evento, perguntando-se, no fundo do coração, o que o Senhor queria lhe dizer. Ela experimentou a própria existência com intensidade máxima: a máxima alegria, em eventos como a visitação e a ressurreição de Jesus, e a máxima dor, em fatos como a perda de Jesus no templo e a morte na cruz.
  O Papa Francisco nos diz: "A espiritualidade cristã propõe um crescimento na sobriedade e uma capacidade de se alegrar com pouco. É um regresso à simplicidade que nos permite parar e saborear as pequenas coisas, agradecer as possibilidades que a vida oferece sem nos apegarmos ao que temos nem nos entristecermos por aquilo que nos possuímos. Isso exige evitar a dinâmica do domínio e da mera acumulação de prazeres (...). As pessoas que saboreiam mais e vivem melhor cada momento são aquelas deixam de petiscar aqui e ali, sempre à procura do que não tem, e experimentam o que significa dar apreço a cada pessoa e a cada coisa, aprendem a familiarizar-se com as coisas mais simples e sabem alegrar-se com elas" (LS 222, 223).
  Que Maria de Nazaré nos ensine a desenvolver a vida simples, centrada no essencial. Amém.
Irmão Afonso Murad
      

quinta-feira, 20 de julho de 2017

ANO MARIANO

8. MARIA NA APRESENTAÇÃO
  Lucas 2,21-23 narra a ida de José, Maria e o bebê Jesus a Jerusalém. Por volta de 40 dias depois do nascimento do filho mais velho (primogênito), a mãe e pai deviam ir ao templo de Jerusalém para oferecer o filho a Deus. Levaram para sacrifício religioso "dois pombinhos" (v. 24), oferta dos pobres. No templo, a família de Nazaré encontra o velho Simeão  (vv. 25-35) e a profetisa Ana (vv. 36-38). Ambos representavam o antigo povo de Israel, que acolhe com alegria e esperança o Messias. Simeão profetiza que Jesus será causa de contradição, revelará o que está escondido no coração das pessoas, e também que Maria sofrerá na carne grande conflito, devido às exigências de Jesus (vv. 34-35).
  O gesto visava somente cumprir um preceito legal. Quando Maria vem com Jesus e José ao templo, ela oferta a si própria a Deus. Carregando o bebê no colo, apresenta-se diante do Senhor com generosidade. Ela renova o compromisso que tinha feito com Deus na anunciação. Pois as opções mais profundas na vida, ainda que feitas uma vez para sempre, precisam ser renovadas e reafirmadas. Era como se Maria dissesse a Deus: Eu aceitei o teu chamado, teu filho se fez carne na minha carne. Obrigada! Agora, eu e José assumimos o compromisso de amá-lo e educá-lo. De ti recebemos a graça desta criança. A ti ofereceremos esta criança, como dádiva.
  Quando ofertamos a Deus nossos dons, trabalhos, conquistados e esperanças, recriamos o gesto da apresentação de Maria. Enriquecemos a nós mesmos, à sociedade e ao mundo. As mãos de Maria, que simbolizam a disposição livre de se engajar na causa de Deus, sempre estão com Jesus. Ela não o retém. Entrega-o a Deus e a nós.
  Que Maria educadora nos ensine a surpreendente lógica do evangelho: quando dividimos o que somos e temos, Deus multiplica as sementes e os frutos.
       Irmão Afonso Murad