quarta-feira, 7 de fevereiro de 2018

CAMPANHA DA FRATERNIDADE 2018

5. CRIMINALIZAÇÃO DOS MOVIMENTOS SOCIAIS E A LUTA POR JUSTIÇA
    A elite agrária tratou de construir uma concepção de mundo vinculada a seus interesses, naturalizando a violência na proteção da propriedade privada e disseminando a ideologia ruralista, que inclui a imposição, nos diversos meios sociais, da compreensão de que a reforma agrária não é necessária no país (cf. Relatório CPT 2016).
   Como exemplo dessa criminalização histórica, anida hoje presente, citamos as palavras do mártir padre Ezequiel Ramin (assassinado em 24/07/1985) numa homilia em Caracol, Rondônia, em 17/02/1985: "Amo muito todos vós e amo a justiça, e, para justiça, basta a vontade de uma pessoa, basta a vontade a vontade da Igreja, como comunidade, antes que a revolta faça surgir imprevisível brutalidades no nosso ambiente social. Não aprovamos a violência, mesmo se estarmos a ser vítimas da violência. O padre que vos está a falar recebeu ameças de morte. Caro irmão, se a minha vida ter pertence, também te pertence a minha morte. Em comunhão com CNBB, não aprovamos nenhum tipo de violência. Diante de tanto atraso dos organismos do Estado, aprovamos, como sempre fizemos durante o caminho, que o povo se organize para obter os justos direitos, negados não uma só vez, nem duas vezes, negados sempre (...). A Igreja sabe que se devem respeitar etapas jurídicas, mas ela está, quer estar e estará sempre ao lado dos pobres". 
  A Campanha da Fraternidade de 2018 nos mostra que a condição para viver uma cultura de não violência no campo é assumir o reconhecimento de que a terra faz parte da obra do Criador. Como nos diz o Salmo 23, a terra pertence a Deus, e por ele ser o Pai comum de todos seres, a terra pertence a todos os seres, pois todos tem o direito de viver. Por isso, a Reforma Agrária, seguida de uma política pública de incentivo ao agricultor familiar, é de fundamental importância para concretizar a justiça social em nossa sociedade. Fundamental também para enfrentar a violência no campo é o comprometimento de toda a sociedade com a demarcação das terras indígenas.
           Izalene Tiene
Leiga missionária na Amazônia

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